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ENTREVISTA COM ERNESTO FILHO - DIRETOR DE PROVAS - KART - FAERJ

 

Ernesto Filho - Diretor de Provas - Kart - FAERJ

Quem é Kartista, no Rio, certamente já conhece Ernesto Magalhães de Abreu Filho, o Ernesto Filho, da FAERJ. Aos 32 anos, solteiro, morador da Taquara, em Jacarepaguá, Ernesto recebeu o velocidadeRio.com, em sua casa, para um papo sobre o Kartismo no Rio de Janeiro.

Ernesto, ligado ao automobilismo desde a infância, especialmente por influência de seu pai, ele mesmo um fã do automobilismo e da F1, particularmente, entrou no mundo da velocidade aos 16 anos, integrando a equipe da FAERJ. Hoje, na mesma FAERJ, Ernesto é o Diretor de Provas de Kart da Federação e se confessou um apaixonado pela categoria. Atua, também, em outras áreas do automobilismo de competição, no Rio, e é figura de destaque nos boxes fazendo, entre outras coisas a aferição dos carros para treinos e provas.

vRio -  Ernesto quando você se interessou pelo automobilismo?

Ernesto - Na verdade isso "vem de berço". Meu pai gosta muito de automobilismo e sempre assistiu as competições. Sempre aos domingos, pela manhã (acompanhando) a Formula 1 e acabou virando uma paixão, realmente, e, a partir dos meus 16 anos, consegui "entrar" no Autódromo e trabalhar.

vRio - Você chegou a pilotar em alguma categoria?

Ernesto - Não, infelizmente nunca fui piloto.

vRio - Mas sempre atuou na organização?

Ernesto - Positivo. A única "pilotagem" que fiz foi pilotar o "safety-car", na Stock. Mas nunca fui piloto profissional.

vRio - Você disse que trabalha com vendas, uma atividade que nada tem a ver com automobilismo.

Ernesto - Infelizmente a gente tem que ter mais do que um emprego. O automobilismo ainda tem que avançar muito pra gente poder viver dele aqui em nosso país.

vRio - E o kart? Como ele "surgiu" em sua vida?

Ernesto -O kart, na verdade, foi uma surpresa. Foi uma ligação de nosso presidente Djalma que me pediu para que eu comparecesse na FAERJ, (dizendo) que eu iria fazer outra atividade. Lá ele me explicou o que precisava, com relação ao kart. Nunca tinha trabalhado com kart. Fui fazer. Na época, era no Terra Encantada, o Premium (kartódromo) e, foi outra paixão. É um automobilismo diferente. O kart é mais rápido (ágil), tudo é mais rápido. Acabou virando paixão, também.

vRio - Ele o convidou para trabalhar no kart, mas já na direção?

Ernesto - Não. Na época era o Chefe de Pista, que também é chamado de PSDP, que é o Posto de Sinalização do Diretor de Prova. Eu fazia essa função. Com o tempo cheguei a Diretor de Provas do Rio de Janeiro.

vRio - Mudando um pouco o foco. Por que há tão poucas pistas de kart (outdoor) na cidade do Rio e, mesmo, em todo o Estado do Rio?

Ernesto - Infelizmente, eu acho que o que falta em todo o automobilismo, principalmente no kart, é o incentivo de grandes firmas, de empresários, pra fazer o kartismo funcionar. Acho que essa é a principal falta da nossa infraestrutura.

vRio - Você acha que o custo de manutenção do kart, que é bastante alto, e pude até constatar que, no kart profissional pode ser maior do que, por exemplo, manter um carro na categoria turismo, pode ser uma fator negativo para o kart?

Ernesto - Até que hoje, graças a Deus, devido a entrada dos motores refrigerados à agua, o custo diminuiu bastante, o que veio ajudar muito o kartismo. Mas, realmente, o gasto é alto. Pra você fazer uma corrida o gasto, no mínimo, é de R$ 1.500,00. Agora, com a chegada dos motores refrigerados à água diminuiu o custo (operacional), devido à menor necessidade de manutenção.

vRio - O motor de 2 tempos, refrigerado a ar tem uma vida útil menor?

Ernesto - Correto. Tem uma vida menor e uma manutenção muito maior do que os motores refrigerados à água.

vRio - Outro item que dizem ser muito caro no Kart são os pneus, pela pouca durabilidade. Qual o custo de um jogo de pneus?

Ernesto - Um jogo de pneus está na faixa de uns 400 reais, mais ou menos. E, dependendo do campeonato, o pneu pode durar 3 ou 2 provas. É de acordo com o regulamento do campeonato.

vRio - Esses karts utilizados agora, em Volta Redonda, no Campeonato Estadual e, antes, no Campeonato Nacional, são karts de alto rendimento. Existe uma diferença de custo muito grande?

Ernesto - Existe porque quando chega a um nível tão profissional, o piloto não pode ter só um kart, um chassi, ou um motor. Ele tem vários chassis, vários motores e isso é que aumenta "um pouquinho" o custo.

vRio - Existe algum motor predominante, atualmente? Ouvi falar que o motor Biland é um motor que tem uma aceitação muito boa.

Ernesto - A gente não trabalha com o Biland pela CNK – Comissão Nacional de Kart. Na CNK se trabalha mais com o Parilla, atualmente.

vRio -O Parilla é italiano, não é ? O Ivson Marques me disse que, atualmente, a França é a maior fabricante de karts no mundo. Acredito que, também de motores. Tem algum motor francês utilizado aqui?

Ernesto - Não conheço.

vRio - Fale pra nós sobre essas corridas piratas de kart que ocorrem em razão de um desentendimento entre alguns pilotos e a FAERJ e CBA.

Ernesto - É, infelizmente, ainda hoje em dia, ainda tem corrida pirata. Esse caso envolveu a Biland, e eu não sei se foi um conjunto de pilotos ou algum empresário que trouxe para cá (para o Rio) esses motores, que dependiam de análises e testes pra se ver como "fazer" uma categoria e aí ocorreu um desentendimento e acabou virando uma categoria pirata, não sendo homologada pela CBA nem pela FAERJ.

vRio -Quais são as categorias atualmente homologadas pela FAERJ e CBA?

Ernesto - Nós temos: Mirim, Cadete, Junior Menor, Junior, Sprinter, Senior, Master e F4, que são os motores 13 (de 13 HP).

vRio -O Kart Indoor, está tomando um vulto bastante grande e é uma categoria homologada pela FIA, pela CBA. Como você vê o futuro do Kart Indoor dentro da organização da CBA e da FAERJ?

Ernesto - O Kart Indoor, pra gente, é muito bom. É uma entrada de pessoas para conhecerem o kart. Hoje em dia você faz uma bateria por 40 reais (por pessoa) e passa a conhecer o kartismo. Então, pra gente, é uma maravilha. Poderia ser melhor o resgate (a qualificação) desses iniciantes para no futuro serem pilotos (de kart "tradicional"), que no momento é ainda é muito pouco.

vRio -Com a essa popularidade que está ganhando o Indoor, com em torno de 20 clubes dedicados aqui no Rio, a CBA e, mais particularmente, a FAERJ não deveriam entrar mais firmemente na organização de provas e campeonatos?

Ernesto - Não existe (ainda) a categoria Indoor. Desde o ano passado se emite uma carteira de piloto indoor mas não é uma categoria homologada, não existe uma competição (oficial) de kart indoor. O que existe é uma "escola", uma abertura para eles (pilotos) "andarem" no kart indoor, gostarem e passarem para o kart "profissional". Infelizmente essa passagem é em torno de 10 por cento.

vRio - Provavelmente pelo custo e, também, porque muita gente vai para o Indoor amadoristicamente, porque gosta, mas não tem intenção de seguir uma carreira. Não seria, talvez, o caso da FAERJ "adotar" a categoria já que a própria FIA tem o seu Campeonato Mundial, e aí realizar 3, 4 provas como incentivo para o pessoal que está começando a pilotar?

Ernesto - Com certeza. Eu acho que seria excelente, um incentivo muito grande pro kartismo. Eu posso, inclusive, conversar com o presidente (Djalma Neves) pra ver como a gente pode trabalhar esse lado do Kart Indoor.

vRio - Há pilotos, atualmente, na categoria Turismo, que saíram do Kart Indoor.

Ernesto - Realmente há vários pilotos profissionais que saíram do Kart Indoor e poderia haver muito mais.

vRio - De volta ao kart convencional. Esse ano o campeonato estadual começou muito tarde. Já houve uma etapa de provas em Volta Redonda e há mais três etapas programadas até o fim do ano. Você acha que, para 2011, há possibilidade de uma temporada mais extensa, com maior número de provas?

Ernesto - É, esse ano a gente começou muito tarde, devido às obras em Volta Redonda e devido ao Brasileiro ter sido em Julho, o que atrasou um pouco o nosso andamento. Para o ano que vem, acho que o que a gente pode fazer de melhor, é lançar um calendário logo em Dezembro (2010) pra todo mundo fazer sua estrutura, montar uma equipe forte, pra que a gente possa começar o campeonato com um número de pilotos maior.

vRio - Conversando com o Djalma Neves (presidente da FAERJ) ele se disse desapontado pelo baixo número de inscrições para a primeira etapa do Estadual, apenas 30 pilotos. Uma pequena fração comparados aos 150 que se inscreveram para etapa do Brasileiro, lá mesmo em Volta Redonda. A que você atrbui esse pouco interesse?

Ernesto - Creio que é por falta de incentivo com uma premiação que poderia atrair mais pilotos e equipes. Por exemplo, na classe Light, em São Paulo. Tem incentivo com premiação do tipo chassis, pneus e outros equipamentos, que sempre atraem mais concorrentes. Com isso, as inscrições aumentam. Aumentando as inscrições aumenta também o ínteresse de mais pilotos.

vRio - Você acredita, então, que se aqui houvesse premiação isso iria, automaticamente, atrair mais pilotos para o Estadual do Rio?

Ernesto - Positivo. Os pilotos ficariam mais interessados assim como os chefes de equipe. O número de inscrições também aumenta o nível e a importância das provas.

vRio - O Rio de Janeiro não tem uma pista adequada para o kart "outdoor", convencional. A mais próxima que há é Guapimirim, que está ou estava em obras. Será que até o ano que vem estará pronta?

Ernesto - Infelizmente este ano tivemos lá três provas canceladas por causa das obras. Mas a gente quer fazer lá, ao menos mais uma etapa, ainda esse ano. Para começar com força total no ano que vem.

vRio - Com quantas pessoas você conta, atualmente, na FAERJ, na organização do Kartismo?

Ernesto - Hoje em dia a gente trabalha com um Diretor de Prova e, dependendo da prova, de 3 a 5 comissários desportivos, pelo menos 4 comissários técnicos, e ainda pessoal de secretaria, o responsável pelo combustível. O básico são o Diretor de Prova e os comissários desportivos e técnicos.

vRio - O que você pode dizer do Kart, na FAERJ, para o próximo ano? Além dos campeonatos, existe alguma coisa planejada em especial? A criação de uma "escolinha", por exemplo?

Ernesto - Ainda não sei de qualquer coisa nesse sentido. O que eu espero é que, com o novo autódromo planejado (Deodoro), a gente possa conquistar um novo kartódromo, o que vai melhorar, e muito, o nosso kartismo, com possibilidade de uma escolinha com a chancela da Federação, que poderia, também, receber o pessoal do Indoor e aí aumentar, cada vez mais, o número de participantes na categoria. Como existe no Turismo, uma escola, em Jacarepaguá, com aulas aos sábados durante os treinos.

 

Comentários  

 
# Alexandre Seda 04-10-2010 10:43
MUITO BOA ENTREVISTA !!!!!!! PARABÉNS ao Carlos Alvim e também ao Ernesto. Nada melhor que saber das coisas por quem entende. O Ernesto, sempre simpático, dedicado e profundo entendedor do assunto automobilismo. Mesmo trabalhando para a FAERJ, o Ernesto, como muitos outros, tem que ter uma outra profissão para se manter, isso prova que o cara faz porque gosta, são de pessoas como o Ernesto que formam o quadro da FAERJ, apaixonados por automobilismo. Gostei muito da entrevista e mais uma vez parabéns !
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# CarlosAlvim 04-10-2010 10:50
Salve Alexandre! Anda sumido! Obrigado. Eu também gostei e foi um prazer conversar com o Ernesto com quem tinha tido ainda pouco contato. É realmente um "cara! simpático e muito solícito. Vejo você no próximo dia 9, no Autódromo. Forte Abraço!
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# Ernesto Filho 04-10-2010 22:04
Obrigado pelo comentário. Alexandre. Estamos sempre à disposição. Abraços.....
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# Pedro Gavinho 05-10-2010 13:36
Fala Alvim, gostei muito da entrevista,esto u planejando nas minhas ferias agora em novembro fazer alguns treinos no kartodromo de volta redonda,ja estou preparando o kart e equipamentos! Em relação ao campeonato acredito que infelizmento só deve ficar bom ano que vem! ADOREI a parte de premiação,citad a pelo Ernesto, acredito que seria realmente um atrativo muito forte,pq o kart vira e mexe vc precisa trocar de chassis,diferen te do turismo... Infelizmente eu sempre tive que fazer o campeonato inteiro com o mesmo chassi enquanto os outros ja estavam no 3 ou 4 chassis e no fim do campeonato nas 2 últimas provas ja estavam com o do ano seguinte... Sempre foi bem difícil! Mas a gente se vira!!!! GRANDE ABRAÇO ALVIM,
SAUDADES...
Pedro Gavinho.
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# CarlosAlvim 05-10-2010 14:00
Salve Grande Pedro! Tenho sentido falta de você e do paizão! Espero que aproveite bem as férias. Realmente, a premiação é mesmo um grande um incentivo para pilotos e donos de equipes! Quem sabe para o ano se consegue algum esquema nesse sentido?
As 2 últimas etapas do Turismo serão em Dezembro. Compareçam! Abração!
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# Ernesto Filho 14-10-2010 21:40
Obrigado pelo comentário Pedro. Segue abaixo as datas do Estadual de Kart, caso queira fazer uma visita: 24/10, 14/11 e 12/12. Estarei à disposição. Abraços....
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# Mihaly Hidasy 11-02-2011 06:55
Foi um prazer reencontralo e trabalhando que se gostamos.
Abraço
Mihaly Hidasy
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# CarlosAlvim 11-02-2011 08:10
Alô Mihaly!
O prazer foi todo meu.
Neste final de semana termino a edição da entrevista que fiz com você aí em Volta Redonda e a publicarei.
Abraço
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