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UMA ESTREIA REALMENTE SENSACIONAL!

 O AUDI R8 LMS de Andreas Mattheis e Xandy Negrão que chegou para vencer

 O AUDI R8 LMS de Andreas Mattheis e Xandy Negrão que chegou para vencer

 

 Estrear um carro novo é um desafio. Estrear e ganhar, duas vezes, em um mesmo final de semana, é o máximo!

E foi o que fez a dupla Andreas Mattheis e Xandy Negrão! "Veni, Vidi, Vici!", como teria dito Júlio Cesar. O que parece fácil, agora, foi dureza. Começou com os testes realizados alí mesmo no Autódromo Internacional Nelson Piquet, um mês atrás. Xandi e Andreas, com sua equipe de mecânicos vieram para o Rio para fazer a primeira "afinação" no novo carro, o Audi R8 LMS, que a dupla importou "pra dar uma balançada" no cenário automobilístico brasileiro. E deu mesmo. Já se saberá sobre isso.

O fim de semana não tinha lá os melhores presságios em relação às condições do clima. Chuva, frio, vento, que já estavam na cidade, desde o começo da semana, "fincaram pé" e trouxeram aquele ar de desânimo.

Afinal, o Itaipava GT Brasil, com o GTBR3 e GTBR4, além da TNT SuperBike, realizava as últimas provas de carros e motos de alto rendimento, deste ano de 2010, em pistas cariocas. Lambos, Ferrari, Maseratis, Ford GTs, Viper, Ginetas e o Audi R8, esses dois últimos estreando no Brasil, e mais as Honda, Yamaha, Susuky e Kawasaki, mereciam um melhor cenário e, certamente, um bom público.

Bem, como ainda não se pode controlar o tempo, os carros foram para a pista na sexta-feira, 16 de Julho, e começaram enfrentando "aquelas" famosas poças do Autódromo de Jacarepaguá que todos conhecem e que, apesar de esforços, continuam por lá.

E não poderia ser de outro jeito, uma vez que na última obra de vulto na pista "mutilaram" o Autódromo pra dar espaço aos "gigantes adormecidos do PAN". Fizeram as variantes, em especial a "horrível" curva da Junção. Alí , uma chuva mais forte já provoca o aparecimento de uma enorme poça que toma conta, de quase um terço da pista. Para ser exato, da parte interna da curva, lado esquerdo, obrigando os pilotos a fazerem  manobras, muitas vezes arriscadas, para não terem que encarar o obstáculo líquido "daquela lagoa" . Em outras partes da pista, um misto de borracha e lama dos gramados dos acostamentos tornaram difícil a vida dos pilotos.

O que dizer, então, dos pilotos da TNT SuperBike! Que loucura! Deles trataremos em artigo à parte.

Voltando às "baratas" como diz o Edgar de Mello Filho. Na sexta, foram três os treinos livres. Não chovia e os tempos foram baixando a medida que a pista ficava mais emborrachada. Alguns queixavam-se de baixo rendimento e buscavam a melhor solução nas regulagens, nos ajustes mecânicos e aerodinâmicos. No primeiro treino, Chico Longo e Daniel Serra conquistaram o melhor tempo com 1:12.970 e média horária de 151,31 km/h. Com a melhora da pista, no segundo treino, Marcelo Hahn e Allam Khodair chegaram à melhor marca com 1:11.809 e média de 153,75km/h. No terceiro treino livre,Ricardo Maurício e Bruno Garfinkel, cravaram  1:11.736 , com média de 153,91 km/h, a melhor do dia, obtida na 15ª volta.

Já no sábado, a história foi outra. Chuva desde a madrugada. Persistente, sem trégua. Como não poderia deixar de ser, a dirigibilidade piorou e com ela os tempos, com algumas saídas de pista e rodadas. O melhor tempo obtido foi o de Marcelo Hahn e Allam Khodair com 1:17.243, quase 7 décimos acima do melhor tempo do dia anterior. Pudera! E foi debaixo de chuva, não muito forte, que as duas rodadas de treinos classificatórios para a 7ª prova, à tarde, e a 8ª, no Domingo foram disputadas.  Na primeira, Ricardo Maurício conquistou a pole com 1:17,711 - média de 142,08 km/h e na segunda, Cleber Faria, ganhou a posição de ponta com 1:18.281 e média de 141,04 km/h. Nada mal para uma pista encharcada. E, para os dois classificatórios, a "novidade" da pista, o Audi R8 LMS conseguiu, apenas, magros 12° lugares. A essa altura, em papo com mecânicos da equipe de Mattheis e Negrão, senti uma certa decepção com os tempos obtidos.

Hora da largada para a 7ª prova. O pole Mauricio levou um susto ao ouvir que havia sido punido e sairia na última posição. Caramba! Por causa de 2 milímetros de diferença de vão livre para o solo! Mas ... Quem se deu bem foi Chico Serra que herdou a posição. Antes da largada, porém, alguns pilotos trocaram de pneu, optando pelos slicks, ao invés dos "biscoito". Sem tempo para trocas, a maioria saiu com os "biscoito", mesmo, e foi então que Xandy Negrão e Andreas Mattheis mostraram que experiência conta, sim senhor. Nos boxes eles haviam combinado a estratégia e sairam já "calçados" com os slicks. Enquano os ponteiros paravam para trocar os pneus o Audi R8 LMS da dupla ia conquistando posições e, rapidamente, chegou à liderança. Briga acirrada com Valdeno Brito/Matheus Stumpf e seu Ford GT. Ricardo Maurício pisava fundo e reconquistava posições em um corrida notável. O brilho, porém, ficou com a dupla Negrão/Mattheis. Em uma disputa que foi até a troca de pilotos, quando Mattheus Stumpf quase passa Mattheis que acabara de assumir, porém teve que dar uma "segurada" para não  sair do box antes dos 2 minutos regulamentares. Mattheis aproveitou e lá se foi o bólido alemão. A chuva dera uma pequena trégua, resumindo-se a uma garoinha. E nessa disputa foram até o final. Mattheis cruzou em 1° para vibração de Xandy e toda a sua equipe que o carregou e "jogou para o alto", literalmente.  Vibração também para os que assistiam nos boxes e para a reduzidíssima, mas fiel, platéia nas arquibancadas. Uma bela vitória, realmente, tirando a dúvida quanto às possibilidades da Audi em terras tupiniquins.

Mas não foi só. As Ginettas G50, na GTBR4,  também fizeram excelente estréia. Um belo carro com um design clássico. Um misto da atual Viper, em tamanho menor, e uma pitada de Jaguar XKe (você lembra?) com aquele capô comprido e "hatch" curtinho, só pra ficar nos modelos americanos e ingleses. Um belo carro e uma grande performance. A Ginetta G50 n° 82 de William Freire e Marçal Mello, da Manelão Competições, venceu a GTBR4 com autoridade, superando Ferraris, Lambos e a própria Viper, da qual ela parece uma miniatura.

Até aí tudo bem, tudo festa! Mas, tem sempre um mas. Terminada a coletiva dos vencedores da GTBR3, nem fora iniciada a dos vencedores da GTBR4 quando começou um corre-corre que fez todo mundo abandonar a sala de entrevistas e ganhar o paddock, onde encontrou um box em chamas. Muita fumaça e a ação rápida do pessoal de resgate e incêndio da equipe do Rio Motor Racing que conseguiu debelar o fogo que começara no box de controle quando, justamente, a Gineta n° 82 e o grande vendedor o Audi R8 ali estavam para inspeções. Uma centelha, aparentemente gerada por uma tomada, manipulada próxima ao tanque da Ginetta, e que, em contato com o vapor do combustível, provocou a labareda que logo alcançou o combustível que caiu de um balde e se alastrou pelo chão do box. Extintores foram rapidamente acionados e os carros retirados sem danos maiores, especialmente a Gineta que ficara mais exposta ao fogo. Apesar da força das chamas somente um membro da equipe de socorro ficou ferido. Euler Novaes, sofreu queimaduras de primeiro grau nos pulsos e nas pernas. Ele foi logo atendido pela equipe de paramédicos e médicos e levado para o posto de emergência, poucos metros do local do sinistro, onde foi medicado e recebeu os primeiros curativos, sendo, depois, liberado. Por muita sorte e graças à ação rápida que extinguiu as chamas, Euler não sofreu graves ferimentos. Foi o susto do dia!

O que leva a outro problema que ocorreu e ocorre com frequência nesta e em outras corridas. A manipulação de combustível e solventes, sem as devidas precauções, e a presença de gente fumando (pessoal de equipe), dentro dos boxes, em uma conduta absolutamente inaceitável nos dias atuais, em que combustíveis extremamente voláteis são utilizados em pequenos espaços. Fumar nos boxes é uma loucura que tem que ser impedida, sob pena de estarmos lamentando vítimas de acidentes que poderão acontecer a qualquer hora!

Não é preciso dizer que o dia acabou por alí. Alerta pra todo mundo.

O Domingo amanhece com um arremedo de Sol. Ao chegar ao Autódromo, logo cedo, procurei o horizonte, voltado para o Sul, pra ver se choveria ou não. O instinto de pescador, que insisto em dizer que possuo, me dizia que o "tempo iria levantar". Um chuvisquinho aqui e alí e o vento foi levando pra longe as nuvens. Beleza! Passado o warm-up para carros e motos e logo tivemos certeza de que, afinal, teríamos corridas em pista seca, o que igualaria, em tese, as possibilidades de todos. Pneus slick foram a ordem do dia.

À hora da largada, lá estava o Audi, de novo, em 12° lugar. As outras equipes apostavam em uma melhor performance de suas máquinas e acreditavam que tanto os Audi, quanto as Ginettas não teriam a mesma performance da tarde anterior.

Aproveitando o dia seco, lá fui eu para a curva que chamo de parabólica, outros de "relevé" e outros, ainda, de 120 (graus, é claro). Lá, na saída da curva dá para ver a segunda "perna" do S, toda a "parabólica" e sua saída para a pequena reta que vai até a curva 90 graus. Uma bela visão e que proporciona, sempre, boas fotos. E não foi diferente.

Lá aguardei a largada e, logo na primeira volta, após a saida do "safety car" (porque não carro-madrinha, como se dizia anos atrás?), olha aí o Audi R8, com Andreas Mattheis ao volante, conquistando posições. Logo após a largada Cleber Faria – Lamborghini LP560 rodou e perdeu a primeira colocação para Aluízio Coelho com um Ford GT. Este, por sua vez, rodou também, duas voltas depois e Mattheis veio chegando com o Audi e passando, conquistando posições. Resumo da história: na quarta volta o Audi deixou a "parabólica" em primeiro lugar. Numa tocada firme mas tranquila o carrão ia levando de roldão o que encontrava à frente. Retardatários, pois já liderava e abrindo. Veio a troca de pilotos e Xandi assumiu e foi em frente, não dando chance a seus adversários, guiando o carro para a vitória, desta vez com mais folga ainda. Atrás dele brigavam Chico e Daniel Serra, Ricardo Mauricio, Allam Khodair e Lico Kaesemodell. Uma bela corrida, como, aliás, já havia sido a do Sábado. Xandi Negrão cruzou a chegada com 19.4 segundos de vantagem para o segundo colocado, Allam Khodair. Daniel Serra, em 3°, Chico Serra, em 4° e Ricardo Maurício, em 5°, completaram o pódio.

Na GTBR4, a Ginetta n° 82 não reeditou a sua atuação de sábado, sofrendo com problemas mecânicos e abandonando na 13ª volta. Valter Rossete, com Ferrari Challenge, ficou em 1°, com Renan Guerra em 2° , com Maserati Trofeo, e Cristiano Federico com sua Ferrari Challenge em 3° lugar, mantendo a briga pela liderança do campeonato, na categoria.

Acho que o Rio, este ano, foi privilegiado e pode assistir belas provas nas principais categorias do automobilismo brasileiro. Nota importante, em especial para as autoridades municipais. Em todas as oportunidades, belos públicos encheram as arquibancadas do Autódromo Internacional Nelson Piquet,. Mesmo em um final de semana com tempo instável, e vários eventos de porte na cidade, 14.000 pessoas vieram ver carros que, normalmente, só conhecem de televisão. E eles estavam aqui, em Jacarepaguá, trazendo emoção e mostrando que o Automobilismo Carioca e Fluminense continua vivo e proporcionando emoções aos aficionados.

Quanto aos pilotos e suas equipes, quero deixar os cumprimentos do velocidadeRio.com pela ousadia, pela coragem e pelo amor ao esporte-motor que têm, investindo e trazendo máquinas de ponta para qualificar, cada vez mais o Automobilismo Brasileiro.

 

Comentários  

 
# Anderson 23-07-2010 17:57
Enviado em 23/07/2010 às 17:44
Alô Carlos,
Estive presente no Domingo e gostei muito do que vi por lá, os carros são demais, principalmente os viper´s, GT´s e o estreante R8.
Um grande abraço e até o carioca.
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# CarlosAlvim 23-07-2010 17:59
Enviado em 23/07/2010 às 17:55
Salve Anderson,
Realmente são todos “demais”. dias 14 e 15 de Agosto estaremos lá, no Autódromo.
Abraço
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