CAMPEÕES QUE SE VÃO

Ser Campeão nem sempre significa ser o primeiro, chegar na frente, subir ao pódio. No esporte, como na vida, encontramos campeões em cada atividade, escondidos, desconhecidos do público.
No último dia 2 de Julho, o automobilismo carioca perdeu um de seus campeões. Aos 87 anos, mais da metade dedicados ao esporte-motor no Rio de Janeiro, morreu Luigi Ciai, o Ciai, como era conhecido, um romano-carioca, que por aqui aportou em 1958, vindo da Itália.
Motociclista em seu país, Ciai aqui chegou e foi trabalhar naquilo que mais sabia. Conhecedor de mecânica e de competições, Ciai passou à preparação de motocicletas, motonetas e carros para competições. Durante seus primeiros anos, por aqui, competiu nas motos. Nos carros, trabalhou como preparador na Victori e outras equipes, como a de Murilo Piloto. Inúmeros pilotos, o próprio Murilo, Fábio Crespi, Mario Olivetti e Jorge Cláudio Schuback, para citar alguns, tiveram suas carreiras, no automobilismo, ligadas a Luigi Ciai.
Como fazia há anos, Ciai esteve, em Abril deste ano, no Autódromo de Jacarepaguá, para ver corridas e rever velhos amigos. Já debilitado, faleceu no princípio do mês passado, lúcido e entusiasmado com o esporte ao qual dedicou sua vida. Ciai deixou Beth, sua esposa, e Beatrice, a Bia, sua filha.
Hoje, no Autódromo de Jacarepaguá, após o "briefing", foi prestada uma homenagem à memória de Luigi Ciai pelos pilotos, chefes de equipe e dirigentes do automobilismo carioca. Após breves palavras de Murilo Piloto e as de um emocionado Jorge Cláudio Schuback, Bia Ciai, percorreu a pista de Jacarepaguá em uma Ferrari 360, dirigida pelo veterano piloto Uberto Molo. Da janela, durante o percurso, Beatrice espalhou as cinzas de seu pai pela pista, em uma tocante homenagem. Muitos carros, de pilotos e de membros de equipes, da FAERJ, do Rio Motor Club e de conhecidos da família Ciai, a seguiram em cortejo.
Veja, abaixo, fotos de Luigi Ciai, do acervo de Bia Ciai, e da homenagem no Autódromo.








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Comentários
Não tive a sorte de poder conhecer o Ciai pessoalmente mas, pelo que todos comentam, era uma excelente pessoa, além de grande profissional.
Grande perda, sem dúvida.
É pena, mas chega uma hora em que os bons nos deixam. No entanto, a memória do Ciai, assim como as de outros campeões de todas as áreas do esporte-motor, jamais nos deixarão.
Abraço
Muito emocionante a história. Pena que Jacarepaguá estaja sendo destruido. Pesquiso a história da Lambretta no Brasil, e em uma das fotos, da corrida de Interlagos, tivemos Lambrettas correndo. Você pode me passar o contato da Bia para ver se ela tem mais fotos destas corridas? Se quiser acessa o blog: http://lambrettabrasil.blogspot.com
Abracos, Anderson
Realmente emocionante. Assim como foi a vida do Ciai.
Enviei o contato da Bia Ciai por e-mail.
Abraço
Há nomes que não serão esquecidos, por seu trabalho pelo automobilismo brasileiro. E Luigi Ciai é um deles.
A escolha do Autódromo, onde ele trabalhou e preparou
carros e motos, para muitos nomes importantes do esporte-motor nacional e em especial do Estado do Rio, não poderia ser mais perfeita.
A você amigo um grande adeus.
O Ciai tinha mesmo uma legião de amigos!
Este italo-brasileiro foi um Mestre em todos os sentidos. Me lembro nas 24 Horas de Interlagos,de 1966, ele saiu dos boxes e atravessando o "matagal", para instalar um semi-eixo partido na curva da subida do Lago. E eu era um molecote de 18 anos! Me emprestava motores quando a grana estava curta e muitas vezes "fez box" para mim.
SAUDADES!!!!!!! !!!!!!!!!
A generosidade é a característica dos melhores. O Ciai é unanimidade.
Todos os dias eu parava minha fiat Oggi em frente a sua casa.
As vzs nos cruzavamos e ele sempre tinha uma dica ou um conselho pra manutenção do meu Oggi. Gostava de ver como eu tratava o carrinho !!
Vai com Deus, amigo !!
Nos continuamos aqui cuidando das nossas machinas !!
Abraço
MURILO, SHUBBACK E A TURMA PRESTARAM BELA HOMENAGEM NO AUTODRÓMO.
MEUS SENTIMENTOS A FAMILIA CIAI.
Um campeão falando de campeões. É um prazer tê-lo como meu leitor. Durante a homenagem, seu nome foi citado, assim como o do Norman e de tantos outros que conviveram e aprenderam como o Ciai. Embora contamporâneo, não tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente. Mas o carinho e o respeito com que todos se referem ao Ciai, dão bem a dimensão de sua importância para aqueles que privaram de sua amizade e para o automobilismo do Brasil.
Condolências aos familiares e mais chegados.
Joir de Lacaille
Abs
Realmente o Ciai era especial. Não o conheci pessoalmente, como disse a Bia, mas o carinho e saudade com que todos falam dele dão bem a dimensão da pessoa que ele foi.
Abraço
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